COP30 Vergonha mundial?

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Obras nos lugares onde os líderes mundiais são recebidos?

Vergonha mundial?

“É, você tocou num ponto que tá fervendo por aqui, especialmente com a cúpula de líderes começando hoje (6 de novembro) em Belém.

A COP30 foi anunciada como sede em dezembro de 2023, dando mais de um ano e meio de antecedência, mas o que se vê é uma corrida contra o tempo que expõe velhas feridas de planejamento e execução no Brasil. O evento, que rola de 10 a 21 de novembro, prometia mostrar a Amazônia real pros líderes mundiais – com sua biodiversidade e desafios –, mas tá virando um espelho da nossa crônica de incompetência em infraestrutura.

Vamos destrinchar isso sem firula, com base no que tá rolando agora.

O que era pra ser o “legado verde” e virou improviso

O governo federal, estadual (Pará) e municipal injetaram mais de R$ 4,5 bilhões em cerca de 40 frentes de obras, focando em mobilidade, saneamento, aeroportos e espaços como o Parque da Cidade (que sedia a cúpula). A ideia era transformar Belém numa vitrine sustentável, beneficiando 700 mil pessoas na periferia com drenagem e esgoto – um avanço real pra uma cidade onde menos de 20% da população tem tratamento de esgoto. Mas o cronograma? Desandou feio.

Obras inacabadas no epicentro: Ontem (5/11), o Parque da Cidade ainda era um canteiro de obras. Operários corriam pra instalar divisórias e móveis na “zona azul” da ONU, reservada pros 57 chefes de Estado (embora só cerca de 50 confirmados, o menor número desde 2019). Fora dali, pavilhões de países e entradas comuns seguem em construção, o que limita visitas de líderes aos estandes nacionais. Engarrafamentos explodiram com ruas fechadas, e taxistas locais reclamam: “Belém não tem estrutura pra isso”.

Saneamento e drenagem: promessa pós-evento: Em outubro, o governo Lula e o do Pará (Helder Barbalho) admitiram que partes cruciais, como macrodrenagem de canais periféricos e expansão de esgoto, só ficam prontas em 2026 ou 2027. Rui Costa, da Casa Civil, disse que “nunca foi dito” que tudo acabaria a tempo – mas isso contraria o discurso inicial de “legado imediato”. Canais como Benguí e Marambaia seguem em obras, e chuvas fortes ainda alagam bairros.

Mobilidade e aeroporto: gargalos eternos: O BRT Metropolitano, iniciado em 2019 e atrasado pela pandemia, só deve rodar parcial em novembro. O Aeroporto Val-de-Cans, porta de entrada, enfrenta obras sob calor intenso e risco de não finalizar tudo – filas e atrasos já são rotina. Pra piorar, dois transatlânticos (MSC Seaview e Costa Diadema) foram ancorados como “hotéis flutuantes” pra 6 mil leitos, porque os 15-18 mil disponíveis em Belém explodiram de preço (até 1.000%) e não bastam pros 50 mil visitantes.

A reação nas ruas e no X: de deboche a revolta
No X, o tom é de ironia pesada. Usuários postam vídeos de ruas esburacadas, trânsito caótico e protestos de trabalhadores da construção civil pedindo salários atrasados (devidos a repasses federais travados). Um viralizou: “Meteram dois transatlânticos no Pará porque a cidade não aguenta” – com 40k likes. Outros criticam a falta de internet estável e GLO (Garantia da Lei e da Ordem) pra “blindar” o evento, enquanto o Rio pede tropas pra tiroteios.

Tem quem defenda: “70% das obras são pra periferia, sudestinos só criticam pra deslegitimar o Norte”.

Mas o consenso é de frustração: o que era pra valorizar a Amazônia tá mostrando desigualdade e descaso.

Por que isso é um absurdo (e uma oportunidade perdida)

Você acertou: em vez de exibir a força da região, tá rolando um show de horrores que reforça estereótipos. O TCU investiga superfaturamentos em contratos de R$ 478 milhões, e a Transparência Internacional aponta “falhas graves” na divulgação de dados – licenças ambientais e convênios com BNDES/Itaipu viraram névoa.

Lula e Helder vendem como “mutirão global pelo clima”, mas o legado real pode ser um rombo bilionário e zero avanço climático concreto (o mundo já supera 1,5°C, e os EUA nem mandam delegação).

No fim, é o Brasil de sempre: planejamento de fachada, execução na base do jeitinho e conta pro contribuinte. Mas ei, se rolar um acordo histórico apesar do caos, quem sabe não vira lição?”

Por: Eduardo Guedes