Enquanto a China, e outros parceiros do BRICS, se esforçam em manter suas exportações para os EUA, nós simplesmente incineramos anos, décadas, de esforço de exportadores que lutaram, investiram para desenvolver o mercado, adaptando-se a exigências e necessidades do competitivíssimo mercado americano.
Já tínhamos caído de 26% de nossos negócios internacionais em 2002 com os EUA, para cerca de 10% em 2024.
Mas, o que se destaca é que mais de 70% das exportações eram de produtos acabados e semielaborados, de alto valor agregado, que nos davam tecnologia e altos salários.
Mas, gradualmente, outros setores foram, com grande esforço, competência e investimento, penetrando neste mercado altamente comprador. Mangas, peixes, café, carnes ocupavam posição de relevo e importância, ao lado de equipamentos aeronáuticos, máquinas e equipamentos.
Quem está no comércio externo, como nós estamos há 5 décadas, sabe o que custa de sangue, suor e lágrimas entrar neste mercado.
De quem foi a culpa do tarifaço não vamos discutir.
Acusações e reclamações não são solução.
Se tivéssemos apenas querendo o óbvio que é a manutenção de empregos e mercado, a solução chinesa que tão pregada foi, não teríamos perdido um centímetro do mercado e teria custado menos de 1/3 dos US$ 32 bilhões que estão sendo prometidos.
A solução imediata, de dar créditos tributários aos exportadores para compensar não 50% e sim 40%, teríamos mantido compromissos, contratos etc.
Não haveria caos e sim ações.
Recursos disponíveis seriam usados para apoiar as empresas em diversificação de mercado, baixa do famigerado custo Brasil, investimento em tecnologia e produção.
Não se pleiteia concessões eternas. Sempre tem que ter uma razão e um prazo.
Agora, os mercadinhos da saudade que têm cerca de 1.900 lojas nos EUA, que empregam cerca de 10.000 brasileiros e alimentam boa parte dos 1,9 milhões de brasileiros que vivem nos EUA, fecharão suas portas, pois não terão produtos para vender.
E as dezenas de pequenas fábricas de alimentos que tinham seus produtos aí vendidos… o que fazer?
Os empresários não querem se endividar ainda mais, pois sabem que o dinheiro apenas manterá um custo fixo e não têm a quem vender. Mais custos sem resultados apenas.
Esta é uma emergência nacional que merece atenção e união de todos de forma apartidária para não soçobrarmos.
Muito foi feito, por muitos, para serem jogados ao vaso sanitário todos estes esforços.
Não enterremos os esforços de nossos heróis que abriram as fronteiras para nossos produtos.
Carlo Barbieri

