O Paraguai entendeu. O Brasil não
O Paraguai não é uma potência tecnológica. Não tem Vale do Silício, não tem universidades de ponta em computação, não tem mercado interno relevante para consumo digital, em larga escala.
E mesmo assim está se tornando um dos destinos mais atraentes do mundo para a infraestrutura que vai sustentar a inteligência artificial global: data centers. A pergunta é: como fizeram isso?
A resposta começa na energia. Itaipu fornece eletricidade limpa, barata e em quantidade industrial. O Paraguai consome menos de um terço de sua cota e tem o restante disponível para quem precisar.
Somam-se a isso água abundante para refrigeração, clima estável e baixíssima incidência de desastres naturais. É a combinação perfeita de ativos físicos que a nova economia digital exige.
Mas o diferencial que ninguém estava esperando é jurídico. O governo paraguaio criou tarifas elétricas especiais por 15 anos e está desenvolvendo um modelo de zonas soberanas dentro dos centros de dados.
A lógica é simples: se o centro de dados pertence a uma empresa americana, vale a lei dos EUA naquele espaço. Se é coreano, vale a lei coreana. A empresa opera com a segurança jurídica do próprio país de origem, dentro do Paraguai.
Esse movimento resolve o maior obstáculo do setor: a insegurança jurídica sobre proteção de dados. Multinacionais que investem bilhões em infraestrutura precisam de previsibilidade.
Não querem depender de mudanças regulatórias locais, de decisões políticas ou de interpretações jurídicas imprevisíveis. O Paraguai está dizendo: aqui, você não corre esse risco, não vai ter “canetada”.
É esse o ponto que o Brasil ainda não resolveu. O país tem energia, tem mercado, tem talento. Mas a insegurança jurídica e a instabilidade regulatória afastam investimentos que poderiam vir para cá antes de ir para Assunção.
Por Junior
