Ancelotti e a crise da meritocracia na Seleção Brasileira
A permanência de Carlo Ancelotti no comando da Seleção Brasileira levanta um debate importante sobre gestão, responsabilidade e meritocracia no futebol brasileiro.
Se a CBF decidiu investir no treinador mais bem remunerado do futebol mundial, a expectativa natural era de resultados compatíveis com esse investimento. No entanto, o resultado não veio nem antes e muito menos durante a Copa, o desempenho apresentado pela Seleção está muito abaixo do que grande parte da torcida esperava. Não basta ter um currículo repleto de títulos conquistados em clubes europeus; vestir a camisa da Seleção Brasileira exige desempenho, identidade de jogo e evolução constante.
O contraste com o trabalho de Tite é inevitável. Mesmo recebendo uma remuneração significativamente menor, Tite construiu campanhas consistentes nas Eliminatórias, conquistou a Copa América de 2019 e manteve a Seleção entre as principais forças do futebol mundial por vários anos. Independentemente das críticas que recebeu, seus números e resultados demonstraram competitividade.
O problema não é apenas o desempenho em campo, mas a mensagem transmitida pela CBF. Manter um treinador extremamente caro sem que os resultados justifiquem o investimento passa a impressão de que o desempenho deixou de ser o principal critério de avaliação. Em qualquer empresa séria, altos salários caminham lado a lado com metas e cobrança por resultados. No futebol brasileiro não deveria ser diferente.
Essa decisão também desvaloriza os treinadores brasileiros. Há profissionais qualificados no país que, com uma fração desse orçamento, poderiam desenvolver um projeto sólido, conhecer melhor a cultura do futebol nacional e ainda gerar oportunidades para a evolução da própria escola brasileira de treinadores.
Meritocracia significa reconhecer quem entrega resultados, independentemente da nacionalidade. Se um treinador estrangeiro apresentar um grande trabalho, merece permanecer. Da mesma forma, quando o desempenho não corresponde às expectativas, é natural que haja cobranças e reavaliações. O que não pode acontecer é transformar um salário milionário em um escudo contra críticas ou justificar a continuidade apenas pelo peso do nome.
A Seleção Brasileira é patrimônio dos brasileiros, não da CBF. A torcida espera planejamento, transparência, responsabilidade com o dinheiro investido e, acima de tudo, um futebol que honre a tradição de um país pentacampeão do mundo. Permanecer em um projeto que não demonstra evolução convincente pode ser interpretado como insistência em um erro, corrupção e tantas outras possibilidades, quando o correto seria avaliar os resultados com critérios técnicos e objetivos! #ForaAncelotti #VemRenatoGaucho
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