A imagem mais marcante do encontro entre Trump e Xi talvez não seja o aperto de mão
A imagem mais marcante do encontro entre Trump e Xi talvez não seja o aperto de mão. É quem Trump levou junto para Pequim.
Tesla, Apple, NVIDIA, Boeing, BlackRock, Blackstone, Citi, GE Aerospace, Cargill, Micron Technology, Qualcomm, Mastercard, Visa, Meta, Illumina. Uma delegação que parece mais lista de Fortune 500 do que comitiva diplomática.
O recado era óbvio: queremos mais espaço no mercado chinês.
Mas aí vem o detalhe mais interessante.
Entrar na China não é entrar num mercado em branco esperando ser preenchido. É entrar numa arena enorme, sofisticada e cheia de gente muito boa, onde o Estado tem estratégia clara, os players locais são fortíssimos e vários setores são protegidos por razões que vão muito além de tarifas.
Visa e Mastercard querem crescer na China, mas a China não é um mercado de cartões. O dia a dia roda em cima de Alipay e WeChat Pay, e a infraestrutura de cartões gira ao redor da China UnionPay. O desafio não é só entrar. É ganhar relevância num mercado que já construiu sua própria arquitetura sem precisar delas.
A Tesla tem em Shanghai uma das operações mais estratégicas do mundo, mas compete direto com BYD, Xiaomi Technology, XPENG, NIO e Li Auto.
A Apple não conseguiu lançar o Apple Intelligence na China continental até hoje por questões regulatórias.
E a Nvidia quer vender chips de IA para empresas chinesas enquanto a China corre para eliminar exatamente essa dependência.
Esse é o padrão que se repete.
A China atrai empresas, capital e tecnologia. Mas protege o que considera estratégico, seja por soberania, segurança nacional ou porque quer desenvolver seus próprios campeões. Foi assim em pagamentos. Está sendo assim em carros elétricos. E agora acontece com força total em semicondutores e IA.
Na política, EUA e China disputam tecnologia, influência e poder. Nos negócios, as maiores empresas americanas estão em Pequim tentando entender como crescer dentro desse mesmo mercado. As duas coisas ao mesmo tempo.
Para empresas brasileiras, o recado é direto: não dá mais pra olhar a China só pela lente ideológica. A própria elite empresarial americana está em Pequim tentando decifrar como jogar esse jogo.
Estratégia global não é escolher entre competir ou cooperar. É saber onde fazer cada coisa, e o que proteger quando necessário.
Vinicius Batista
