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Provedores de internet clandestinos com indícios de ligação com o crime organizado estão por trás de 6,6 milhões de pontos de acesso à internet fixa no Brasil

Provedores de internet clandestinos com indícios de ligação com o crime organizado estão por trás de 6,6 milhões de pontos de acesso à internet fixa no Brasil. A estimativa é de uma empresa que presta consultoria a pequenos provedores de telecomunicação, relata o portal UOL. Esse montante faz parte de um total de 12,9 milhões de conexões invisíveis, fornecidas por operadoras clandestinas e fora das estatísticas oficiais.

OS NÚMEROS INVISÍVEIS

O dado revela que o volume de usuários de internet no Brasil é maior do que o aferido pelo poder público. Autoridades como a Anatel e as polícias estaduais não têm um número consolidado de quantas pessoas vivem sob domínio de facções que controlam o acesso à rede.

COMO O CRIME ATUA

A infiltração de organizações criminosas no fornecimento de internet acontece de diferentes formas:

• Cobrança de “pedágio” ou taxa de operação dos provedores
• Roubo de infraestrutura para vender o serviço
• Proibição de empresas legais atuarem sem o pagamento de suborno

Em Simões Filho, na Bahia, a facção Bonde do Maluco passou a cobrar taxa dos prestadores. Há casos semelhantes no Rio de Janeiro, no Ceará e no Pará.

O MAPEAMENTO

O número foi calculado pela plataforma TeiaH 360, criada pelo empresário Luciano Sperb, veterano do setor. A ferramenta cruza dados do mundo físico e digital, mapeando edificações, antenas, postes e sinais de uso de internet, indo além da autodeclaração das operadoras.

A plataforma registra áreas dominadas por facções onde os dados oficiais apontam não haver pontos de internet, mas as medições mostram o contrário.

OS RISCOS PARA O CONSUMIDOR

Quem é atendido por esses provedores clandestinos enfrenta problemas sérios. Além da violência cotidiana, essas pessoas geralmente não contam com suporte técnico. A falta de segurança cibernética dessas redes também abre espaço para golpes e vírus.

A clandestinidade ainda mina a concorrência e prejudica políticas públicas voltadas a levar conexão para áreas desassistidas.

Tiago Henrique

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